Zabé da Loca na TV Cultura

Nesta segunda-feira, 15 de março, a TV Cultura transmite o show de Zabé da Loca, a Rainha do Pife. Com mais de 80 anos de idade, Izabel Marques da Silva se divide desde pequena entre tocar pífano e trabalhar na roça.

A paraibana foi descoberta em 2003 por um projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que patrocinou a gravação de seu primeiro CD. Foi a guinada rumo aos palcos do Brasil e a parcerias com nomes de peso como Hermeto Pascoal e Carlos Malta, produtor de seu segundo disco, Bom Todo(2007), que reuniu xotes, cocos, cirandas e baiões. Saiba mais de Zabé da Loca no myspace da artista.

Não se esqueça: próxima segunda, 15 de março, às 23h40, show com Zabé da Loca, na TV Cultura, logo após o programa Roda Viva.

Confira a programação completa dos shows inéditos do programa Rumos Música.

Próximo Longa de Edgar Navarro: O Homem que Não Dormia

Diretor do premiado Eu me lembro filma O homem que não dormia, seu segundo longa, sobre memória cármica
Carlos Helí de Almeida (Jornal do Brasil – 05/04/09)
navarro

Navarro no set de filmagens em Igatu

Edgar Navarro já estava quase desistindo de procurar pelo ator ideal para fazer um personagem-chave da trama de O homem que não dormia, que o diretor está rodando na Chapada Diamantina, em Minas Gerais, quando topou com Luiz Paulino durante a Jornada de Cinema da Bahia do ano passado. Figura mítica do cinema nacional, Paulino foi substituído por Glauber Rocha (1939-1981) na direção de Barravento (1962), dirigiu curtas e médias seminais do cinema novo antes de abandonar o cinema e virar líder místico de uma comunidade no Sul de Minas. Navarro encontrara o peregrino sem nome que mexe com os destinos dos moradores do vilarejo fictício de sua história.

 

– Foi um achado. O peregrino era uma peça superimportante do quebra-cabeças e o Luiz Paulino surge diante de mim com aquela barba longa e um passado cheio de mistério. Ele não poderia ter aparecido em momento mais oportuno – conta Navarro, durante um dos intervalos das filmagens, na cidade de Igatu, no interior da Bahia. – No início da vida, o Luiz Paulino foi entregador de cartas, um andarilho. É uma das muitas coincidências com o personagem.

 

Os bastidores de O homem que não dormia é ilustrado por outros reencontros memoráveis. Bertrand Duarte, que interpretou o louco de rua de impulsos quixotescos de SuperOutro (1988), premiado média-metragem que projetou o nome de Navarro no fim daquela década, interpreta padre Lucas, o protagonista, um dos cinco moradores do povoado assombrado pelo mesmo pesadelo. A ficha técnica do novo filme também ostenta o nome do diretor de fotografia Hamilton Oliveira, que trabalhou com Navarro no também premiado Eu me lembro (2005), o primeiro (e tardio) longa-metragem do diretor de 59 anos.

 

– Estamos filmando tudo em película 16mm, em tela larga. O visual do filme é inspirado na pintura de Caravaggio (1571-1610), que buscava o equilíbrio entre o claro e o escuro – avisa o diretor.

 

Ligação íntima

 

Nostálgico e irreverente, Eu me lembro foi a grande surpresa do Festival de Brasília de 2005, de onde saiu com os principais prêmios, inclusive os de Direção e Filme. O enredo cruza as memórias afetivas de um jovem que adolesceu entre o fim dos anos 60 e o início dos 70 e a história do país naquele período. O protagonista é uma espécie de alter ego do diretor. O homem que não dormia toma caminhos narrativos e estéticos “completamente diferentes”, embora esteja mantenha uma ligação íntima com o filme anterior.

 

– Eu me lembro fala de uma memória coletiva, a partir de uma particular, a minha. Já O homem que não dormia é sobre a memória de vidas passadas, que é uma espécie de memória cármica. Inventei um barão que viveu no século 19 para a história e me projeto nele. Tenho a impressão de que estou sempre falando de mim mesmo – admite Navarro, que deixou a barba crescer para viver um personagem menor na história.

 

O enredo do novo filme combina elementos folclóricos e religiosos. O sonho que tira o sossego dos personagens é inspirado na lenda, que ganha variações dependendo do estado brasileiro, do homem que enterrou um tesouro e, ao morrer, seu espírito passa a visitar o sono de outros para inspirá-los a encontrar a fortuna e assim libertá-lo do pecado. Além do padre Lucas, sofrem com as visões o louco da cidade, uma vítima da repressão militar, que ainda apresenta sequelas, e a mulher do coronel que controla o vilarejo.

 

– Quero falar de um tesouro que não é material. Essas cinco pessoas estão vivendo uma crise muito grande, estão no limite da suas existências, quando não são totalmente surtadas, são neuróticas demais– explica Navarro. – A ideia de desenterrar o tesouro vai determinar uma virada na vida delas. Representará uma espécie de luz na vida, uma mudança de rumo, uma revelação O tesouro é uma metáfora da libertação dos medos, da hipocrisia que vivemos.

Tabuleiro e TVE registram o Carnaval do Interior

A Tabuleiro Produções em parceria com a TV Educativa da Bahia esteve nas cidades de Santo Amaro, Muritiba, Maragojipe e Cachoeira filmando manifestações pré-carnavalescas no interior da Bahia. O resultado, doze interprogramas de 1 minuto cada, já pode ser visto nos intervalos da transmissão do Carnaval da TVE e semana que vem estará disponível também em nosso canal no Youtube (tabuleiroacc).
Em Santo Amaro, durante a Festa da Purificação foram gravados interprogramas com os temas: Nego Fugido, Capoeira/Maculelê e Festa da Purificação. O primeiro conta com cenas lindas e exclusivas captadas pela excelente lente (e não é duplicidade!) de Ivan Márcio. O segundo traz a cantoria e o jogo mandingueiro de Mestre Ivan, neto de Ferreirinha e herdeiro das tradições da cidade onde a capoeira nasceu. Já o terceiro é coroado pela voz de Bethânia em música e entrevista, onde revela sua paixão e devoção por Nossa Senhora.
Em Muritiba foram produzidos vídeos da Lavagem do Bonfim, com suas mais de 300 baianas carregadas de quartinhas com água de cheiro e o som afrobarroco do Gêge Nagô. Já as caretas e cães que tomam as ruas nos 11 dias de lavagens e ternos ganharam cada um seu espaço refletindo sua picardia e beleza.
Em Maragojipe a história de Raimundo “Patrão” é contada de forma emocionante pelo mesmo, em meio às fantasias que já vestiu em 57 anos de carnaval. A cidade, cujo Carnaval será declarado oficialmente Patrimônio Imaterial da Bahia no próximo dia 23 pelo governador Jacques Wagner, revela porque merece o título.
Na cidade histórica de Cachoeira a festa é nas águas do Paraguaçú, numa saudação a rainha mãe, Yemanjá. Os presentes, preparados de véspera nos principais candomblés da cidade, são entregues na Pedra da Baleia, local sagrado para os fiéis.
Enfim, são 12 minidocs muito bem trabalhados estetica e conceitualmente que demonstram a capacidade da equipe Tabuleiro Produções.
E por falar em equipe, o mérito vai pra eles, parabéns meus meninos!!!!
Ivan Márcio, câmera 1
Charlie Augusto, câmera 2
Simão Augusto, produtor
Samir Suzart, assistente
E eu, Carine, a única mulher do meio, regendo essa tropa com muito orgulho!