Milhares de jovens são resgatados pelo Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Os temas eram: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma “Ação Audiovisual Cultura Viva“. “É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam” – explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Sta Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e a TV Brasil, mas não só ela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “Pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?” – disse. Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porrque se você passa um ano formando o jovem e depois não aproveita não adianta.”. Para ela um nó também são os valores de financimento do audiovisual no Brasil, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual requeria o mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (que fôra distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“-A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado.” – declarou ela. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)

Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)

Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)

Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva

Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio

Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)

Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

TT Catalão é o novo Secretário de Cidadania Cultural

O Ministro Juca Ferreira esteve presente à abertura oficial da Teia 2010: Tambores Digitais na noite de sexta-feira. Ele discursou na abertura e falou sobre o trabalho de Célio Turino, que se despede da Secretaria da Cidadania Cultural para candidatar-se a Deputado nas próximas eleições.

“- Nós demos uma encomenda ao Célio e ele fez muito mais do que a encomenda pedia”

A despedida do secretário foi emocionada e seu trabalho aplaudido de pé pelos participantes do encontro. Em seu lugar100_4771 foi anunciado o poeta e atual Diretor do Programa Cultura Viva, TT Catalão. “Na verdade eu sempre estive no projeto, desde o início, construindo discursos, fotografando, assessorando. Estou saindo de uma situação de bastidores.” O nome foi bem aceito. Durante o anúncio TT Catalão e Célio Turino ficaram abraçados. O Ministro louvou o trabalho dos dois e disse não saber quem deles se dedicava mais ao projeto.

“-Nossa agenda de trabalho não diferencia muito da de qualquer outro ministro. São 16, 18 horas de dedicação exclusiva. Todo esse resultado que estamos vendo agora é fruto dessa dedicação durante 8 anos.”

Sobre a saída do Célio Turino ele disse: “Ninguém é insubstituível. O Gil saiu e o trabalho continuou. Hoje é o Célio, amanhã sou eu e o trabalho continua, temos de ver esses processos de forma menos personificada. O TT Catalão é um amigo, uma pessoa capaz, responsável, já está no projeto há muito tempo e vai saber conduzir o processo.”

Para TT, o principal desafio agora é a aprovação da Lei Cultura Viva. “Existem duas vertentes, uma é a institucional: nós fizemos a emenda, embasamos, enviamos. Outra é a constitucional e essa não podemos negar que é morosa. Mas o mais importante é que quem nos respalda é o movimento popular e esse tá aí tocando tambores e gritando ‘Vamos lá, vamos aprovar!'” – disse ele.

O Ministro concorda que a aprovação da Lei não deve sair agora – “Vai demorar, mas vai acontecer.” Quando perguntado sobre se a continuidade do projeto pode ser comprometida com a mudança de governo, afirmou:

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“- Se a Dilma ganhar o projeto continua, eu falo da Dilma porque ela já se comprometeu, tem de saber se os outros também assumem esse compromisso. Mas acredito que qualquer presidente que assumir deve continuar o programa.

– Até o (candidato) Serra, Ministro?

– O governo de São Paulo tem lançado editais para seleção de Pontos de Cultura, o trabalho tem encontrado eco por lá.”

TT Catalão também acredita nessa possibilidade. “Os estados estão envolvidos. A partir do momento que se criou essa parceria, os recursos são repassados para o Estado e não temos encontrado problemas com esse processo. Hoje nos reunimos com Gestores de todos os estados e há interesse de todos eles, independente de partido, em participar desse processo. Então não acredito no sucateamento do projeto, porque como o nome mesmo diz, é vivo, são as pessoas, o povo, que alimenta o movimento.”

Célio Turino reforça essa idéia: “Trabalhamos com o empoderamento social, isso é irreversível. É um processo que já existia, sempre existiu, o que fizemos foi fomentar, foi dar as ferramentas, mas o know how todos eles já tinham. E hoje o projeto ganhou uma dimensão suprapartidária, é reconhecido internacionalmente, não dá pra fechar os olhos pra isso.”

Quem é TT Catalão:TT

TETÊ CATALÃO, poeta, jornalista, letrista, ativista cultural sempre de plantão. Há tempos semeia versos e cantigas de maldizer na imprensa, para a alegria de uns e a irritação de outros… Uma verve solta, afiada, cáustica, que tem origem no Boca Maldita Gregório de Matos, passa pela ironia do Barão de Itararé, verseja no melhor estilo “palavra-puxa-palavra” e desemboca… sei lá, na Rodoviária de Brasília, na selva de pedra ou no heliporto de alguma repartição pública…  Para ele, tudo flui, é passageiro. O Manoel de Barros, outro poeta iluminado, é passarinho. Tetê se confessa passageiro e recita: Na vida tudo passa, só não passa o ônibus do Guará… Anárquico, ditirâmbico…  Uma lucidez alucinada.   (Antônio Miranda)

Reportagem: Carine Araujo/Tabuleiro Produções

Fotos: Simão Augusto (para mais fotos clique aqui)

Livro de Célio turino é lançado na Teia 2010

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O livro Pontos de Cultura: o Brasil de baixo para cima, do Secretário da Cidadania Cultural Célio Turino, reconhecido como o criador dos Pontos de Cultura, foi lançado ontem, às 18 horas, no SESC, ao lado do Dragão do Mar e foi uma das atividades programadas para a Teia 2010 Tambores Digitais, o Encontro Nacional de Pontos de Cultura. O livro marca os 8 anos de dedicação ao trabalho que mudou a história da cultura no país, foi o marco do governo Gilberto Gil e hoje é referência no mundo inteiro.

O livro, lançado pela Editora Anita Garibaldi e comercializado a R$25,00 (vinte e cinco reais), retrata o trabalho realizado – de perto – com os principais Pontos de Cultura do Brasil. Centenas de pontistas e trabalhadores da cultura lotaram a sala e fizeram fila pelo autógrafo do secretário que se despede do cargo esse mês deixando o posto para TT Catalão, que já trabalha no programa Cultura Viva. “As pessoas se reconhecem nele. Eu recomendo a todos os pontistas que leiam esse livro, observando-o como base orientadora, é um marco na história desse movimento.” – disse Deize Botelho do Ponto de Cultura Galpão de Artes de Marabá (PA).

Ronaldo Lopes e banda na abertura do evento

O evento foi aberto pelo grupo musical Ronaldo Lopes e banda, integrantes do Movimento de Cultura Popular do Pirambu (CE) que cantou clássicos da Música Popular Brasileira que o público acompanhou. Depois foi a vez do cineasta e poeta cearense  Rosemberg Cariri fazer um discurso abordando o trabalho do Célio Turino à frente da Secretaria e o processo criativo que o fez chegar até ao livro, que inclui relatos de cerca de 600 viagens de contato com os Pontos de Cultura.

O Secretário Executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, esteve presente ao lançamento. Ainda não tinha lido o livro mas o considerou “fruto de uma experiência magnífica em expressar o autêntico e o genuíno dos saberes, ritos e riqueza que emana da diversidade brasileira.” Também assitiu ao lançamento o Secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin.

100_4848Aline Carvalho, autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: da Tropicália aos Pontos de Cultura já tinha lido o livro do Célio Turino e fez uma resenha que você encontra aqui, reforça essa idéia de que é um relato de dentro:

– É como um diário de bordo, o olhar de quem idealizou o processo está impregnado nele e por isso ele é muito pessoal. O livro pulsa, como o programa”

Depois da fala de Rosemberg Cariri foi a vez de Célio Turino subir ao pequeno palco armado no Salão do SESC e ler, emocionado, trechos de seu próprio livro, entre eles o relato de Darlene que ocupa o 8º capítulo do livro e fala sobre o Ponto de Cultura Cepiac – Centro de Produção Independente de Arte e Cultura – de Londrina (PR). O historiador se diz satisfeito com o resultado do trabalho: ” nós esperávamos que ganhasse essa dimensão pela militância que já tínhamos na área. O Brasil tem hoje cerca de 100 mil iniciativas como os Pontos de Cultura. O que fizemos foi dar sustentabilidade, fomentar. Mas se esse processo retroceder, o que eu não acredito pela força que tem, vamos continuar fazendo do mesmo jeito, porque nós sempre fizemos”. Sobre a mudança causada na história do país ele responde citando um trecho de seu livro “Quem faz história é um homem livre, que tem sonhos”.

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Nilton Silva, do pontão Rede Juvenil (PA), desfaz-se em elogios:  “Célio Turino foi um secretário diferente, ele saiu do gabinete e foi aonde as coisas acontecem, revelando o protagonismo presenciado ao vivo. Ele transita com naturalidade entre todos nós e nos conhece um a um. O Célio revolucionou na gestão pública e essa revolução é transformadora”.

Mais fotos do evento:

Célio Turino em foto com o público
Célio Turino em foto com o público
Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy
Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy
Rosemberg Cariri lê discurso
Rosemberg Cariri lê discurso
Público lota Salão do Sesc no lançamento
Público lota Salão do Sesc no lançamento
Os pontistas Nilton e Deize
Os pontistas Nilton e Deize
O livro
O livro

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simão Augusto

Tabuleiro Produções

Hip Hop tem edital anunciado.

Começam dia 6 de abril as inscrições para o Prêmio Cultura Hip Hop, edição Preto Ghóez, lançado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Ação Educativa e o Instituto Empreender. O edital, o primeiro a contemplar exclusivamente a Cultura Hip Hop, foi anunciado durante a II Conferência Nacional de Cultura. Os organizadores aproveitam a TEIA 2010, Encontro Nacional de Pontos de Cultura que acontece até dia 31 deste mês, para realizar oficinas com os interessados a disputar parte do 1,7 milhão em prêmios, divididos em 5 categorias: Reconhecimento, Escola de Rua, Correria, Conhecimento e Conexões, contemplando 135 iniciativas.

O Prêmio leva o nome do rapper maranhense morto aos 33 anos de acidente automobilístico em Santa Catarina, em setembro de 2004. Preto Ghóez era ativista cultural e social e, depois de ter tido uma infância difícil e ter passado pela FEBEM, construiu um movimento encima de sua música, o hip hop. Vocalista do grupo Clã Nordetino, Ghoez era um dos líderes do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MHHOB), uma das organizações nacionais do setor. Foi idealizador, em parceria com o MinC, do projeto “Fome de Livro na Quebrada” e participava de um grupo de trabalho a fim de desenvolver parcerias entre o governo e o Movimento Hip hop.

A Cultura Hip Hop, cujas primeiras manifestações, no Brasil, datam do início dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos da América e, atualmente, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas. Antes concentrado na Região Sudeste,  o Hip Hop se espalhou rapidamente pelo país e também chegou ao interior do Brasil, marcando presença, por exemplo, em assentamentos e acampamentos rurais, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, e tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

As oficinas acontecem até hoje no Espaço Unibanco do Centro Cultural Dragão do Mar e integram as atividades da TEIA 2010. Na programação a leitura do edital, esclarecimento de dúvidas e até prática de preenchimento dos formulários. A idéia é facilitar o acesso a todos interessados. As inscrições poderão ser feitas pela internet no site: http://www.premiohiphop.org.br e qualquer dúvida pode ser esclarecida pelo email premiohiphop2010@empreender.org ou ainda premiohiphop@acaoeducativa.org

Participem!

Matéria: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Ação Griô mobiliza assinaturas na TEIA 2010

O primeiro dia de atividades da Ação Griô, dentro da Teia das Ações, aconteceu na Galeria TOTA, no SESC,  ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar. Mas quem chegava no pátio já sentia o clima. Seu Gilberto Augusto da Silva, “mas ninguém me conhece assim bote aí Mestre Gil do Jongo”, do Ponto de Cultura Jongo de Piquete – um novo olhar, de São Paulo resumia o que se passava por ali:

“Eu comparo isso aqui com uma rede de pesca, se um nó estiver frouxo não vai pegar nada…A gente veio aqui para apertar os nós, para ficar tudo ajustado e a gente conseguir ‘pescar’ melhor na nossa comunidade.”

Pontistas experimentam o Jongo.Atrás grupo de Jongo do Sudeste e Mestre Gil

Demonstrando no pátio essa dança-música que nasceu em São Paulo, mas tem um pé indisfarçável na África, atraiu muitos pontistas para experimentar dançar. E é dessas experimentações que se faz a TEIA. “A diversidade é grande, mas se percebe um elo entre todos que é o canal de troca de saber, de experiência” – disse ele.

Griôs Mucuxis e a possibilidade de ensinar sua língua

Entrando no SESC as manifestações são ainda mais emocionadas. A mestra Laudisa, xamã da etnia macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falou em seu idioma cantado, sobre a importãncia da Lei Griô. A lei, colocada como uma das 35 prioridades na II Conferência Nacional de Cultura que aconteceu esse mês em Brasília, institucionaliza o Programa Ação Griô, que valoriza os mestres dos saberes, geralmente idosos detentores de conhecimentos específicos. A princípio a Ação, que nasceu da iniciativa do Ponto de Cultura Luz Griô da cidade baiana de Lençóis, abalizava pessoas ligadas aos saberes “clássicos” : indígenas, afro, sertanejos, ribeirinhos. Mas o projeto se ampliou e hoje existem até Griôs do Futebol, são os Griôs da Escola de Futebol América do Amanhã, do Rio de Janeiro. Achou estranho?

“Uma identidade não se constrói da noite pro dia. O Brasil não é o país do Futebol assim, do nada. Tem toda uma história por trás disso que é importante se conhecer e valorizar.” – Tá explicado.

Os povos Macuxis, de Roraima, ainda salientaram a importância do projeto para o ensino da língua macuxi, que só pode ser ampliado por conta dos recursos do projeto e da valorização que tiveram através dele.

Marcos Bragança, Mestre Griô de Teatro de Rua

Marcos Bragança, é ator e também é Griô. Ele coordena há 30 anos a ong, hoje Ponto de Cultura, Tá na Rua – do Rio de Janeiro. É um Mestre Griô de Teatro de Rua. E

Sala lotada para conseguir 1 milhão de assinaturas para a Lei Griô

mostra que tem muito a ensinar: “O palco é a rua e a dramaturgia é construída no local, não há nem 1% de mentira no Teatro de Rua”. Ele diz que houve um encontro entre o Movimento de Teatro de Rua e o Projeto Griô, que segundo ele reconfigura o olhar histórico-social onde as crianças e velhos já seriam respeitados sem necessidade de leis, por sua sabedoria intrínseca – e completa: “Um país que precisa de lei pra cuidar de suas crianças e seus idosos certamente está doente. Nós não somos a minoria.”

A Ação Griô espera recolher 1 milhão de assinaturas em prol da Lei Griô durante a TEIA 2010.

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simao Augusto

Cultura Digital e Mídia Livre unem diálogos na Teia das Ações

Na primeira manhã de debates da Teia 2010, com a alteração de última hora da programação do eixo de Mídia Livre e Comunicação, na Teia das Ações, acabaram-se unindo os integrantes desta ao grupo da Cultura Digital, gerando um momento rico de troca entre as duas linguagens, que pensam e agem de forma bem semelhante, buscando atingir metas e ideais parecidos, e utilizando, basicamente, as mesmas plataformas para tal.

Entre os destaques pautados pelas discussões foi ressaltada a troca de metodologias para formação e manutenção das diversas redes criadas nas articulações dos Pontos, Pontões de Cultura e Pontos de Mídia Livre. Samir Raoni, do Pontão Rede Amazônica de Protagonismo Juvenil explicou, através de uma breve dinâmica, a responsabilidade com a memória e identidade social que cada projeto, pessoa ou coletivo adquire ao trabalhar com as comunidades locais no registro de suas histórias e uso das tecnologias. “Uma rede precisa estar se movimentando unida, com todos acompanhando o que está acontecendo. E é preciso ficar atento aos que estão frágeis nesse processo, pra tentar mantê-los sempre juntos, informados e participantes”, disse Raoni.

Outra questão pontuada em vários momentos foi a necessidade de garantir a continuidade das ações ligadas ao programa Cultura Viva e endossar as políticas públicas de cultura conquistadas até agora, independente do governo atuante. “É importante pensar em como a cultura no nosso país mudou nos últimos anos, não só pelos Pontos de Cultura, mas também com a construção do Plano Nacional de Cultura”, falou Ricardo Ruiz, integrante do coletivo Nordeste Livre e do Ponto de Mídia Livre http://www.descentro.org/.

À tarde, os eixos Cultura Digital e Mídia Livre e Comunicação continuam sua programação normal, na Teia das Ações. Na Cultura Digital haverá um debate sobre a importância da inclusão deste segmento no Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) e apresentação da nova plataforma do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Em Mídia Livre a conversa toma os rumos das políticas públicas para comunicação e cultura, com a participação da chefe da Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura, Tarciana Portella, um dos representantes da Comissão Executiva da I Confecom e da II CNC, Octavio Pieranti, o coordenador do Pontão de Cultura Kuai Tema (PR), Marco “Amarelo” Konopacki”, e representando o Coletivo Intervozes, Carolina Ribeiro.

Texto: Maíra Brandão

América Latina na Teia: pela regionalização dos pontos de cultura

Participando do seminário “Pontos de Cultura na América Latina”, ativistas da Argentina, Peru e Colômbia defenderam a necessidade de ampliar para todos os países da região a experiência dos Pontos de Cultura brasileiros, que potencializam iniciativas e projetos culturais já desenvolvidos por comunidades, grupos e redes de colaboração, através de convênios com o Ministério da Cultura. O projeto hoje reúne cerca de 2.500 pontos espalhados pelo Brasil e está se tornando referência de política pública cultural na região, mesmo antes de virar lei no Brasil (na Teia 2010, o projeto de lei Cultura Viva também será tema de discussão do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, que acontecerá nos dias 28 a 31).

Em dezembro de 2009, foi aprovado no Parlamento do Mercosul, o Parlasul, um anteprojeto de norma legislativa que será encaminhado aos Congressos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, estimulando a criação de lei dos Pontos de Cultura nesses países. Como o Parlasur pode apenas indicar projetos e a decisão final fica a cargo de cada país, Eduardo Balan (do projeto Culebrón Timbal, de Buenos Aires) defende que a sociedade deve pressionar pela aprovação dessa lei em cada lugar – na Argentina, está prevista uma marcha nacional denominada “Pueblo hace cultura” para o segundo semestre deste ano. Ele é um entusiasta do projeto, que poderia chegar a apoiar mais de 3.000 organizações culturais argentinas, se empregasse os mesmos 0,04% do orçamento nacional da cultura empregados no Brasil. Segundo ele, isso significaria um aprofundamento do processo democrático, pois “os processos populares de construção de conhecimento e estética estão produzindo novos paradigmas, através de uma organização que já está acontecendo na região e que tem efeitos políticos importantes”.

Para Paloma Carpio (Peru), foi um grande avanço conseguir trazer uma deputada peruana que chegará hoje para participar da Teia. Segundo ela, é necessário fazer com que os governantes entendam que o progresso de um país não tem a ver apenas com indicadores macroeconômicos, mas com desenvolvimento cultural e humano. O governo peruano aplica hoje apenas 0,084% de seu orçamento em todas as questões culturais, incluindo a preservação de Cuzco e Machu Pichu, dentro de uma ótica que entende cultura principalmente como patrimônio histórico. Segundo ela, a boa notícia é que a Comunidade Andina de Nações (da qual fazem parte Colômbia, Equador, Bolívia, Peru e Venezuela) recebeu recentemente a proposta que, apesar de ainda não ter entrando em discussão, foi a princípio bem acolhida.

Como parte desse esforço para regionalizar os Pontos de Cultura na América Latina, está previsto para outubro deste ano, em Medellin, uma reunião de mais de 100 organizações de toda a América Latina para discutir uma plataforma continental que contemple a aplicação de 0,1% dos orçamentos nacionais em organizações culturais de base. Jorge Blandon (Nuestra Gente, Colômbia) confirmou a disposição do Secretário de Desenvolvimento Social de Medellin em apoiar o evento com alimentação e hospedagem dos participantes. Ele enfatizou a importância da presença de representantes de pontos de cultura relacionados com os eixos do encontro, distribuindo cópias da “Plataforma Puente”, que logo no início do documento expressa seu principal objetivo: “toda a América Latina solidária”.

Reportagem de Ana Facundes na TEIA 2010